domingo, 24 de maio de 2009
Scenes.
A Bus Named Fear [2]
E eu ia chegando cada vez mais perto, apesar da dificuldade. Quando somente um banco nos afastava, o ônibus freou e fui jogada com muita força, batendo a cabeça. Tudo apagou. Acordei em frente à minha casa, mais dolorida ainda. Era bem tarde, fiquei pensando na preocupação dos meus pais, mas isso eu conversaria com eles depois. Abri a porta e a casa parecia deserta. Quando estava subindo as escadas, escutei um choro vindo de meu quarto. Fui me aproximando e cheguei na porta. Fiquei dividida entre abrir a porta devagar ou chutá-la de vez. Chutei. E vi minha mãe ajoelhada em minha cama chorando. E na minha cama estava eu, com meus olhos vidrados no teto e a boca aberta, um ser totalmente inanimado. Eu já estava debilitada, e ainda me acontece isso, quase desmaiei de novo. Mas tentei ir até minha mãe. O desespero e a dor tomavam conta de mim. Encostei em minha mãe, que na verdade era o homem desconhecido do ônibus. As coisas aconteciam e eu não entendia nada, corri. Ele veio atrás, mas parecia ter alguma debilitação, já que ia mancando. Quando cheguei na escada, ele estava na porta de meu quarto. Para constatar isso, tive que me virar. Mas continuei correndo. O que me concedeu uma formidável queda pela escada, e me fez desmaiar novamente, o que, de fato, me fez ficar realmente puta com isso, já que é muito exagero desmaiar duas vezes no mesmo dia.
Acordei de súbito. Olhei ao meu redor e constatei que estava no ônibus e quase chegando em casa. Deve ter sido só um sonho, mas qual parte? Desci e entrei em casa. E a única coisa que eu queria fazer era entrar naquele ônibus novamente amanhã para ver se conseguia entender alguma parte dessa história. Não teria ficado tão interessada assim se minha cabeça e meu corpo inteiro não doessem.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
A Bus Named Fear [1]
Foi só mais uma volta para casa. E mais outra e mais outra. Todos os dias ele estava lá. Mas eu não via seu rosto, apesar de ter tentado. Ele sempre encontrava algum jeito para não revelar seu rosto. E as roupas eram sempre longas, não importando se o clima estava quente. Do modo que tudo isso despertou em mim uma curiosidade imensa.
Eu tinha vontade de ir conversar com o tal ser. O que eu sabia dele? Que descia depois de mim e que sua pele parecia estranhamente pálida. Algo sem vida. Sem falar no cheiro de podre que ele exalava, algo que fui perceber ao tentar me aproximar. Estava nervosa, mas a curiosidade me consumia de um modo inimaginável. Eu cada vez mais perto, e o ônibus andando.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
O Dia Vivo [Final]
quarta-feira, 6 de maio de 2009
May The 6th
Talvez esteja voltando a ser indiferente, mas você, mesmo sem saber, não me deixa ser. Ao menos com você. Jazz, sério, mesmo longe, é verdadeiro. E diferente de tudo. Não é um "tempo
É difícil ter um relacionamento sério, e quando se tem um, sempre fica uma dúvida. Por mais que queiramos que seja pra sempre, não sabemos o dia que vem. Tudo pode mudar e aí corações se quebram e as pessoas renunciam ao amor. Mas eu acho que o importante é o tempo que você passa com essa pessoa e que seja bom. E vai ser o tempo que eu vou passar contigo.
Vou é me calar, falei demais pra quem não precisa ouvir.
terça-feira, 5 de maio de 2009
O Dia Vivo [4]
Disse a ela que queria foder no bosque ali próximo, não houve oposição. Ela devia estar acostumada com caras possuindo fetiches estranhos, se bem que eu não considero sexo ao ar livre um fetiche. "E como eu a mataria?", você deve pensar. Aí que está, não a matarei. Qual a graça de um corpo sem reação? Eu quero vê-la sentindo a agonizante dor, e me suplicando para que pare. Mas eu não vou parar, até não estar satisfeito, ao menos. Minha arma é uma faca dobrável, ótima para colocar no bolso e que poderia cortar até uma alma. Ela não percebeu, está escuro. Quando perceber, já será tarde demais.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
O Dia Vivo [3]
Vou sair de meu apartamento agora, está vazio. Decidi ao menos fazer uma boa ação, doei o pouco que tinha. Quanto ao imóvel, não faz diferença já que o prédio está prestes a ser demolido. Parece que todos meus vestígios estão sendo apagados, e assim prefiro.
domingo, 3 de maio de 2009
O Dia Vivo [2]
Pois bem, para chegar à minha decisão levou algum tempo. É estranho, já que sei que não há mais o que fazer, só que ainda assim me sinto preso a esse vazio. É algo fatal demais escolher deixar tudo para trás e não saber o que virá. Mas também, o que eu estou deixando para trás? Eu diria que deixo a existência medíocre que tive. Não diria que sou covarde. Você acha que não preciso de forças para seguir adiante com essa decisão?
Quanto à escolha de pelo menos aproveitar esse último dia, achei que eu merecia. Sempre essa monotonia me matou, quero viver de verdade uma vez. O que eu vou fazer já não foi tão difícil de escolher. Todo mundo tem algo que deseja, algo que lhes foi vetado. Falando nisso, proibição só gera desejo. E esse desejo se acumula fazendo com que chegue a se tornar uma obsessão. E o que você faz quando se torna obsessivo? Perde tudo. Tudo. E ainda não tem o que queria. Eu tenho uma imensa vontade de rir dessas pessoas, e realmente, eu rio. Elas são ridículas e imaturas, sem noção da vida. Não sou assim, mas tenho desejos que não pude realizar. Só que não me torturei por não tê-los, preferi pensar que os teria algum dia. E é o que eu vou fazer. Ter o que quis.
sábado, 2 de maio de 2009
O Dia Vivo
Agora eu devo apresentar meu nome ao menos. Fernand, exatamente assim. Sem o "O". Prazer em conhecê-lo, desconhecido. Então vamos ao que me interessa, o motivo que me faz escrever. Sou um semi-morto. Não um zumbi, mas quase um cadáver. Minha vida é vazia. Não tenho um motivo razoável para o qual viver. Sem mulher, filhos, amigos ou até família. E isso considerando que eu já tenho uma boa experiência de vida. Talvez até tenha sido essa experiência que tenha me afastado das pessoas. Hoje, é o dia derradeiro. O que eu vou dar tchau para a humanidade. Mas o importante é que hoje sim, eu vou viver. É irônico. Mas eu que decido. Dizem que suicídio manda as pessoas diretamente para o inferno, então eu vou levando uma bagagem extra de pecados pra lá. [continua]
Aham, posso dizer que voltei, leitores inexistentes (:
